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    ela/ele pensou que fosse eu

    ela pensou que fosse eu.

    um nó na garganta, um frio na barriga, o coração saltando á boca!

    ele pensou que fosse eu.

    o sorriso contido, a busca do afago, o sentimento atado!

    ela pensou que fosse eu.

    a vontade de abraçar, o soluço engasgado, a saudade a apertar!

    ele pensou que fosse eu.

    a frase sem falar, a boca pra calar, o corpo pra tocar!

    ela pensou que fosse eu.

    a tristeza arrebatando, o amor desesperando, a felicidade por rever!

    ele pensou que fosse eu

    o desejo de ficar, o olhar a procurar, o querer poder amar.

    ela pensou que fosse eu.

    o olho raso d'água, a mão fria e suada, a boca dizendo adeus!

    ele pensou que fosse eu.

    ela pensou que fosse eu.

     

     

     

    foi a coisa mais triste e linda que já ouvi.

    isso sim é compaixão, não o sentimentozinho ridículo de culpa que pessoas medíocres carregam pela vida. e do mesmo jeito que me sentiu eu te senti também. e lamentei. lamento muito você ter conhecido minha dor, nunca pensei em compartilha-la com ninguém. me perdoe por isso, mas acho que, pelo que me disse, por um segundo, você amou também.

     

     

    epitáfio

    estava eu voltando pra casa, mergulhada em minha melancolia, quando resolvi ouvir um pouco de música, pois ela sempre acalma a alma,  qual a minha surpresa quando ela me veio bem na testa, certeira! fiquei ali, olhando a paisagem pela janela e ouvindo cada frase que a canção dizia, me colocando em cada ação dela. caiu-me como uma luva! ... por um segundo toda minha tristeza foi se desfazendo, se desfazendo num sorriso no meio da multidão, que se apertava na condução de volta pra casa, num sorriso tímido meio acanhado mas que tomava proporções maiores a cada parte da canção tocada e se tornou um imenso sorriso... ria de mim mesma e da canção, ria da situação e do que fazer, ria do passado, do futuro e do que eu via pela janela da condução. vi que ainda havia sol, vi gente despreocupada pelas vias, vi os carros que iam e vinham de, para, algum lugar, vi um moço parado, feio, sujo e cansado e que de tão cansado, sujo e feio, ficava bonito, como era bonito! quanto sofrimento deve já ter passado, quantos lamentos já deve ter chorado, quantos amores já deve ter perdido, ganhado e ainda há de encontrar...

    lembrava da letra e de cada verso e seguia a letra ao inverso...

    a música ainda tocava em seus últimos acordes e eu cantarolava o refrão jurando pra mim mesma que esse epitáfio em minha lápide não estará escrita não.

     

     

     

     Epitáfio

    Devia ter amado mais
    Ter chorado mais
    Ter visto o sol nascer
    Devia ter arriscado mais
    E até errado mais
    Ter feito o que eu queria fazer...

    Queria ter aceitado
    As pessoas como elas são
    Cada um sabe alegria
    E a dor que traz no coração...

    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar...

    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    Ter visto o sol se pôr
    Devia ter me importado menos
    Com problemas pequenos
    Ter morrido de amor...

    Queria ter aceitado
    A vida como ela é
    A cada um cabe alegrias
    E a tristeza que vier...

    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar...

    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    Ter visto o sol se pôr...

    Tiamo

    Tiamo.
    de maneira tosca, rota e incerta mas tiamo.
    de um jeito estranho, incoerente e instável mas tiamo.
    com minha alma, coração e corpo e mais tiamo.
    com meus pensamentos, palavras e desejos e mais tiamo.
    tiamo como nunca antes em vida amei, como nunca pensei que existisse tanto amor, como jamais sonhei em amar.
    Tiamo.

    a pequena morte mais triste que vi.

    foi a pequena morte mais triste que vivi em toda minha vida.

    olhos rasos em lágrimas

    corações dilacerados

    sentimentos misturados

    vontades trocadas

    vida perdida

    mas a morte nunca é bonita, não é mesmo?!