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    ele

    o cheiro da cor que saia dele chamava meu nome, era uma mistura de sensações o gosto que tinha. pensava no quanto poderia durar aquela tortura e o que de bom eu ganharia com isso. as noites quentes ajudavam minha mente insana e lembrar dos detalhes sórdidos daquele encontro, outro misto de sensações, mas desta vez muito pouco agradáveis. um gosto de amargor tomava conta de minha língua toda vez que pensava em seu hálito quente e pensar em tocar sua cor me remetia á mesma sensação de tocar em um réptil qualquer. era sempre estranho lembrar que ele existia, uma coisa, um mito, um seiláoque que saía de dentro da minha mente pra me fazer repensar na vida que se tinha. matei a mim mesma mil vezes por ele e estando eu em minha última vida me era custoso abrir mão de tamanha preciosidade, será que valia? já não valia. tinha a visão do que fora a minha existência antes e depois daquele, que era ele, ser, e já  não me orgulhava do que via, pedaços rotos de alguém que foi alguém e que já se julgava mais ninguém. ainda gritava meu nome. fingi que não ouvia e nem via, dei um sorriso mesmo com uma chaga, no meu peito, aberta e acenei... me senti uma rainha, sabe? aquelas figuras dantescas que se acham grandes coisas mas que na verdade cretina são somente mero objeto de decoração do lugar. eu era isso... uma rainha!  nessa hora maldita, a boca, que era dele, se mexeu e me disse a frase mais nojenta que meus ouvidos jamais poderiam imaginar em ouvir, meu estômago deu voltas e vomitei aquele amargor que ele tinha deixado em mim. 
    consegui respirar.
    minha cabeça doía como se tivesse tomado mil porres das piores bebidas, meus olhos mal enxergavam a luz do dia, meu corpo latejava em dor, minha mente ardia em confusão.

    o cheiro da cor que saia dele chamava meu nome, era uma mistura de sensações o gosto que tinha... e ainda gritava meu nome. mas desta vez eu não fingi: não ouvia e nem via.