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da boca vinham palavras que eram contrárias aos seus sentimentos, desde pequeno ele aprendera a nunca dizer o que realmente achava das coisas, já não lhe doía a alma mentir assim, pois já não via mais como mentiras e sim quase verdades, ia depender muito do ponto de vista, porque, afinal das contas, no fundo, no fundo, não era mentira pura. ele aprendera desde muito cedo a falar o que queriam ouvir, que isso resolveria todos os problemas pois nunca haveriam problemas, mal sabiam que a cada coisa não dita se perdia a pura verdade e era sempre a mesma não verdade que era largada em algum canto duma esquina qualquer. ele olhava as pessoas ao redor e já não mais lhe dava crédito, aprendera quando criança que não se devia confiar em mais ninguém que não fosse ele mesmo, crescia sozinho em suas angústias e dúvidas e achava que bastava ficar quietinho que tudo, tudo, tudo passaria. ele observava o mundo a seu redor e sonhava com um dia encontrar alguém que ele pudesse contar tudo o que se passava em seu coração.
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